Telefone

(22) 3055-7626

WhatsApp

(22) 99907-3209

Fertilização in vitro

A fertilização in vitro, também conhecida como FIV, é uma das principais técnicas de reprodução assistida. O tratamento consiste na coleta dos óvulos e na fertilização em laboratório com os espermatozoides. Após alguns dias de desenvolvimento embrionário, um embrião é transferido para o útero, com o objetivo de favorecer a gravidez.

A FIV pode ser indicada em diferentes situações, como alterações nas trompas, endometriose, baixa reserva ovariana, idade reprodutiva avançada, fatores masculinos, infertilidade sem causa aparente, preservação da fertilidade e outros contextos avaliados individualmente.

O tratamento é planejado de forma personalizada, de acordo com a história clínica, os exames do casal ou da paciente, a idade, a reserva ovariana e os objetivos reprodutivos.

A técnica é dividida em 5 etapas principais:

  1. Estimulação ovariana

Nesta etapa, são utilizados medicamentos hormonais, geralmente injetáveis, por cerca de 9 a 15 dias, com o objetivo de estimular os ovários a desenvolverem múltiplos folículos. Durante esse período, o crescimento dos folículos é acompanhado por ultrassonografias e, quando necessário, exames hormonais.

  1. Coleta de gametas

Quando os folículos atingem o tamanho adequado, é realizada a coleta dos óvulos por meio de punção ovariana guiada por ultrassom, com a paciente sob sedação. No mesmo período, é feita a coleta e o preparo do sêmen em laboratório.

  1. Fertilização em laboratório

Os óvulos maduros são fertilizados com os espermatozoides em ambiente laboratorial. Esse processo pode ocorrer pela FIV clássica ou pela ICSI, técnica em que um espermatozoide é injetado diretamente dentro do óvulo.

  1. Cultivo embrionário

Após a fertilização, os embriões são acompanhados em incubadoras especiais por alguns dias. Em muitos casos, esse desenvolvimento é observado até o estágio de blastocisto, geralmente entre o 5º e o 6º dia.

  1. Transferência embrionária

A transferência consiste na colocação de um embrião no útero por meio de um cateter fino. É um procedimento rápido, geralmente indolor e que não exige anestesia. Embriões excedentes de boa qualidade podem ser congelados, permitindo novas tentativas no futuro, quando indicado.

Após a transferência, o teste de gravidez costuma ser realizado cerca de 10 a 12 dias depois, conforme orientação médica.

Preservação da fertilidade

A preservação da fertilidade é indicada para pessoas que desejam adiar a maternidade ou a paternidade por motivos pessoais e profissionais, além de ser um recurso essencial antes de cirurgias pélvicas ou de terapias que possam comprometer a função reprodutiva, como a quimioterapia e a radioterapia. Nesses casos, o congelamento de óvulos, espermatozoides ou embriões permite preservar o material genético para aumentar as chances de uma gravidez futura.

Diante de diagnósticos oncológicos, o planejamento é conduzido de forma individualizada e em conjunto com o oncologista, garantindo que a coleta seja feita de maneira segura e sem atrasar o início do combate ao câncer.

Independentemente da motivação, o fator idade exerce um papel fundamental no sucesso dessa técnica. A recomendação médica é que a preservação seja realizada preferencialmente antes dos 35 anos para as mulheres, período em que os óvulos apresentam melhor qualidade e maior reserva ovariana. Apesar disso, o procedimento também pode ser indicado em idades mais avançadas, desde que haja uma avaliação clínica criteriosa para analisar a viabilidade reprodutiva da paciente.

Relação sexual programada

A relação sexual programada, também conhecida como coito programado, é um tratamento de reprodução assistida de baixa complexidade que consiste na indução da ovulação por meio de medicamentos, associada ao monitoramento do ciclo menstrual com ultrassonografias seriadas. O objetivo principal é identificar com precisão o período de maior fertilidade para orientar o momento ideal das relações sexuais, potencializando as chances de uma gestação natural.

A técnica é indicada especialmente para casais com distúrbios na ovulação. No entanto, o procedimento não é recomendado diante de quadros de infertilidade grave, tais como obstrução das trompas uterinas, endometriose profunda, alterações severas no espermograma ou idade materna avançada.

Além disso, o método é desaconselhado caso não se obtenha sucesso após um período de três a seis tentativas consecutivas, indicando a necessidade de migrar para tratamentos de maior complexidade.

Barriga solidaria (ou útero de substituição)

A barriga solidária (ou útero de substituição) é uma técnica de reprodução assistida em que o embrião é gerado em laboratório e transferido para o útero de outra mulher, que gestará o bebê.

Este tratamento é indicado para mulheres que não podem gestar, como em casos de ausência de útero, malformações uterinas ou doenças graves que tragam risco à vida da mãe ou do bebê. Também é indicado para casais homoafetivos masculinos e homens solteiros que buscam a paternidade solo.

No Brasil, o Conselho Federal de Medicina (CFM) determina regras rígidas para o procedimento, que deve ser sem fins lucrativos,não podendo ter caráter comercial. Além disso, a cedente do útero deve ter parentesco de até 4º grau com um dos parceiros (mãe, filha, irmã, avó, tia ou prima).

 A mulher que vai ceder o útero deve ter pelo menos um filho vivo e estar com saúde em dia. É obrigatório que todos os envolvidos no tratamento passem por avaliações médicas e psicológicas antes do início do procedimento.

Transferência de embrião congelado

A transferência de embriões congelados é uma etapa da fertilização in vitro na qual os embriões previamente criopreservados são descongelados e transferidos para o útero em um momento oportuno e cuidadosamente planejado. Essa estratégia confere maior flexibilidade ao tratamento e pode elevar as taxas de sucesso gestacional.

O procedimento é recomendado quando o endométrio não está favorável para receber o embrião no mesmo ciclo da coleta dos óvulos, diante do risco de síndrome do hiperestímulo ovariano, na presença de embriões excedentes ou para a preservação prévia da fertilidade.

Realizar a transferência em um ciclo posterior permite que o corpo da mulher se recupere completamente do estímulo hormonal, resultando em um ambiente uterino mais equilibrado e um endométrio muito mais receptivo para a implantação embrionária.

Doação de óvulos

A doação de óvulos é uma alternativa para mulheres que não conseguem engravidar com seus próprios óvulos. Essa situação pode ocorrer devido à baixa reserva ovariana, falência ovariana precoce, menopausa ou falhas em tratamento de Fertilização in Vitro. O procedimento também é indicado para evitar transmissão de doenças genéticas ou em projetos parentais de casais homoafetivos masculinos.

No Brasil, as diretrizes do Conselho Federal de Medicina (CFM) determinam que a doadora de óvulos deve ter entre 18 e 37 anos, além de apresentar excelente saúde física e mental. Por regra, a doação precisa ser voluntária, altruísta e totalmente anônima. No entanto, o CFM abre uma exceção para a doação entre parentes de até quarto grau de um dos cônjuges — como mães, filhas, irmãs, tias e primas — desde que não haja consanguinidade direta na formação do embrião.

O tratamento segue rigorosos critérios éticos e legais, proporcionando uma oportunidade segura para alcançar a gravidez

Analise genética do embrião

A análise genética dos embriões, conhecida como Teste Genético Pré-Implantacional (PGT), é realizada durante o ciclo de Fertilização in Vitro (FIV) para identificar alterações cromossômicas ou doenças genéticas específicas antes da transferência uterina.

Esse procedimento é recomendado principalmente para mulheres com idade materna avançada, geralmente acima de 38 anos, ou em casos de abortos de repetição e falhas anteriores de implantação. A técnica também traz benefícios quando há alterações graves no espermograma, histórico de malformações fetais em gestações anteriores ou quando os pais são portadores de doenças hereditárias.

Ao selecionar exclusivamente os embriões saudáveis, o PGT reduz o risco de transmissão de condições genéticas e aumenta significativamente as chances de sucesso do tratamento.

Maternidade/paternidade solo

A produção independente, termo popular para a parentalidade solo por escolha, é a jornada de mulheres ou homens que decidem constituir uma família sem um(a) parceiro(a). Na medicina reprodutiva, esse projeto de vida torna-se viável por meio de tratamentos altamente personalizados e seguros.

Para as mulheres que optam pela maternidade solo, o processo geralmente envolve a Fertilização in Vitro (FIV) ou a Inseminação Artificial, utilizando sêmen de doador anônimo proveniente de bancos de gametas nacionais ou internacionais, onde é possível selecionar o perfil com base em características físicas e de saúde.

Já para os homens que desejam vivenciar a paternidade solo, o caminho exige a combinação da Fertilização in Vitro com a doação anônima de óvulos e o procedimento de útero de substituição, popularmente conhecido como barriga solidária. Nesse cenário, os espermatozoides do futuro pai são utilizados para fertilizar os óvulos doados, e o embrião é transferido para o útero de uma doadora temporária que, pelas normas éticas vigentes no Brasil, deve ter parentesco de até quarto grau com ele.

Através dessas tecnologias, a reprodução assistida atua como uma ponte para realizar o sonho da família solo de forma clinicamente segura, ética e totalmente alinhada às resoluções do Conselho Federal de Medicina.

Casais homoafetivos

A reprodução assistida possibilita que casais homoafetivos realizem o sonho da parentalidade por meio de tratamentos personalizados, planejados de acordo com a composição familiar. Esse processo utiliza técnicas como a inseminação artificial ou a Fertilização in Vitro (FIV) e, quando necessário, a doação de gametas ou a gestação por útero de substituição, sempre respeitando as normas do Conselho Federal de Medicina (CFM).

Devido às altas taxas de sucesso, a FIV destaca-se como o método mais escolhido e, em alguns casos, surge como a única opção viável para a constituição da família.

No caso de casais homoafetivos femininos, uma das alternativas é a inseminação artificial, procedimento no qual o sêmen de um doador anônimo — obtido em bancos de esperma nacionais ou internacionais — é inserido no útero após a estimulação ovariana. Outra possibilidade muito procurada é a gestação compartilhada por meio da FIV, em que uma das parceiras fornece os óvulos e a outra gesta o bebê, permitindo que ambas participem ativamente do processo biológico.

Já para os casais homoafetivos masculinos, a realização da fertilização in vitro é indispensável e envolve a doação anônima de óvulos, que são fertilizados com os espermatozoides de um ou de ambos os parceiros. Como o procedimento exige a cessão temporária de útero, recorre-se à barriga solidária. No Brasil, de acordo com as regras vigentes do CFM, a doadora do útero deve preferencialmente ser parente consanguínea de até quarto grau de um dos cônjuges e possuir pelo menos um filho vivo. Quando a cessão envolve amigas ou terceiros sem esse grau de parentesco, o processo exige uma autorização excepcional do Conselho Regional de Medicina (CRM) da região.